quarta-feira, 10 de setembro de 2014




   Vez ou outra fico com uma terrível inveja de quem nasceu num lugar e ali ficou ou pelo menos ali cresceu. Esse pessoal que conhece cada canto do seu bairro e cada pessoa, o tiozinho que vende jornal na esquina, a vizinha que só fica na porta a observar a vida de quem por ali atravessa, um grafite que esta ali meio borrocado há mais de treze anos, enfim. Creio eu que essa vontade parte do principio de nunca ter me fincado em lugar algum, de nunca ter estreitado laços com pessoas de lugar algum (ok, algumas sim, bem poucas). Conhecer sim, conheci varias e da maioria não lembro nem o nome.

   Então quando estou quase entrando num quadro de depressão aguda, pois nem fotos eu tenho pra me lembrar desse monte de rostos desconhecidos com os quais compartilhei momentos bons – e não foram poucos-, lembro-me que talvez as fotos nem sejam tão importantes e muito menos os nomes... Também, haja laço pra estreitar com tanta gente que se conhece nessa vida, ainda bem que eles deixaram momentos ou historias (ou ficaram, porque tem gente que se leva junto pra sempre).

   Depois que termino de me lamentar fico é com raiva desse pessoal que nasceu num lugar e ali ficou. Não dá pra perder tempo a vida inteira atravessando a janela da mesma vizinha e prestando atenção em grafite que já esta ali há mais de treze anos..."Besta é tu" que não conhece a sensação maravilhosa de ir embora de um lugar achando que nunca irá conhecer pessoas iguais e descobrir que tem pessoas demais nesse mundo (e estou contabilizando apenas as boas).
   Ainda bem que cada momento, cada pessoa e cada caminho que atravessei me trouxeram para este lugar. Como foi que eu cheguei parar aqui nem me pergunte, nem eu mesma sei, mas ainda bem que cá estou eu com as melhores pessoas que podia estar – as que vão ficar e as que vão deixar mesmo só os momentos –.